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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Monologo: O dia que eu morri

Eu me lembro bem do dia em que decidi que tudo acabaria. Ah, o dia em que eu morri. Não foi uma morte comum, daqueles que se esperam em contos trágicos ou dramas de época. Não. Foi uma morte silenciosa, uma decisão ponderada em meio ao turbilhão de uma vida que já não me fazia sentido. Sabe, há dias em que a vida se torna um fardo tão pesado que parece que você não tem escolha a não ser entregá-lo para o destino. Eu estava exausto de me esforçar para agradar, de lutar por reconhecimento de quem nunca acreditou em mim. As palavras de desencorajamento eram como fachadas, e cada vez que eu tentava me levantar, era como se alguém puxasse o tapete. Então, naquela manhã cinzenta, eu decidi: "Hoje, eu morro." Não foi um ato impulsivo. Não houve lágrimas ou despedidas dramáticas. Não houve um adeus formal a uma vida que já não me preenchia. Eu simplesmente parei. Parei de lutar, parei de buscar aprovação, parei de explicar meus sonhos para quem nunca quis entender. Morri para essas pessoas, para essas opiniões que nunca desenvolveram, mas apenas me seguraram no fundo do poço. Para eles, eu era apenas mais um fracasso em potencial, um nome a ser esquecido. E, para esses, eu realmente morri. Não foi um ato impulsivo. Não houve lágrimas ou despedidas dramáticas. Não houve um adeus formal a uma vida que já não me preenchia. Eu simplesmente parei. Parei de lutar, parei de buscar aprovação, parei de explicar meus sonhos para quem nunca quis entender. Morri para essas pessoas, para essas opiniões que nunca desenvolveram, mas apenas me seguraram no fundo do poço. Para eles, eu era apenas mais um fracasso em potencial, um nome a ser esquecido. E, para esses, eu realmente morri. Mas veja, o paradoxo: no momento em que decidi morrer para todos esses olhares críticos, eu comecei a viver verdadeiramente. No exato momento em que me afastei de quem me definia por suas limitações e desdém, comecei a descobrir uma liberdade que nunca conheci antes. Minha vida, antes contida, agora se expande. Projetos que foram fadados ao fracasso começaram a ganhar forma, e sonhos que estavam engavetados finalmente se concretizaram. É engraçado, não é? A morte pode ser libertadora. Não a morte física, não o fim absoluto. Mas a morte simbólica, a morte para os padrões e expectativas que nunca eram meus. Quando eu morri para quem não me apoiava, comecei a renascer para mim mesmo. E agora, quando as pessoas falam de mim como se eu tivesse desaparecido, eu rio. Porque, na verdade, fui eu quem decidiu dar um passo para fora daquela pequena caixa que me tentou colocar. Eu morri para ser livre. E, paradoxalmente, esse ato de morte me deu uma nova vida. Uma vida que eu vivo agora, não mais pelas expectativas alheias, mas pelas minhas próprias escolhas e realizações. Então, se perguntarem, pode dizer que sim, eu morri. Mas essa morte, essa morte simbólica, foi a maior prova de que eu estou mais vivo do que nunca estive. E esse é o tipo de vida que vale a pena viver.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Experimentando a manhã dos galos



... poesias, a poesia é
- é como a boca
dos ventos
na harpa

nuvem
a comer na árvore
vazia que
desfolha a noite

raíz entrando
em orvalhos...

os silêncios sem poro

floresta que oculta
quem aparece
como quem fala
desaparece na boca

cigarra que estoura o
crepúsculo
que a contém

o beijo dos rios
aberto nos campos
espalmando em álacres
os pássaros

- e é livre
como um rumo
nem desconfiado..

sábado, 30 de setembro de 2017

Verdadeiros e Fake....

As frases prontas, em geral, me lembram os para-choques dos caminhões e seus respectivos adoradores. Nada contra essas pessoas, pois são boas e honestas no mesmo grau das demais, mas duvido que realmente a partir deles devamos conduzir nossas vidas. Não creio que algo que serve para uma pessoa se encaixa perfeitamente para nós, ou que uma frase dita em determinada circunstância se aplica em todos os casos, pois se a sogra do caminhoneiro é horrível, nem todas o são. Na internet ainda temos um outro grande problema, que se soma aos demais. Quem mais tem tempo para ela é o mais desocupado, o que tem menos coisas importantes para fazer na vida, quem tem menos experiência e conhecimento sobre o que diz. As pessoas mais capazes ou em melhor condição e sucesso normalmente até possuem perfis, mas são desenvolvidos por terceiros (assessores de imprensa, empresas de marketing, etc.). E se algum incauto pretende mesmo aprender algo bom, procure quem sabe, pois “Quem visita os sábios torna-se sábio; quem se faz amigo dos insensatos perde-se.” (Provérbios 13,20). Não é qualquer pessoa que pode lhe dar conselhos, principalmente quem é derrotado justamente no quesito em que se propõe a opinar. Com a experiência de alguns podemos saber apenas o que não fazer. Fácil notar, também, que, em muitos casos, ao replicar nas redes sociais ou em qualquer local algo previamente preparado e colocado numa moldura bonita busca-se a falsa sensação de possuir alto grau de erudição. Quem está passando o recado, porém, simplesmente não parou para pensar no que passou adiante. Coisas que a baixa autoestima e o excesso de exposição da internet explicam, afinal, todos devemos parecer bonitos, ricos, refinados, felizes, inteligentes, saudáveis, etc. É a tal da vida “fake” em perfis verdadeiros que, ao final, nos prende à necessidade doentia e crescente de efetivamente nos tornamos aquilo que queremos que os outros pensem de nós, tudo traduzido em insuperáveis expectativas irrecuperavelmente frustrantes, mantendo o ciclo da eterna insatisfação e infelicidade. Na internet não podemos afirmar categoricamente as informações e dados como fato, assim como também não sabemos se as frases são reais e se foram efetivamente ditas por aquelas pessoas a quem são atribuídas. Sinceramente falando, acho mais simples para os egos e para o bem da humanidade que haja mais falsidade que verdade. Aquele seu “amigo” da internet não é tudo aquilo que ele mostra, enquanto que, por outro lado, não podemos nos queixar de uma vida em que nada temos reclamar de fato. Sabemos disso, mas muitas vezes não nos damos conta de que o excesso de informação nos faz invejar uma vida projetada por outrem. A inveja não é nem do que se realiza, mas do que está planejado ou sonhado. Já os antigos costumavam ser mais relaxados com isso aproveitando-se do conceito incutido no seguinte provérbio: “por fora bela viola, por dentro, pão bolorento”. Eles sabiam que era mais interessante cuidar da própria vida porque a dos outros nada tem de mais interessante. Um dos grandes temas dessas expressões consagradas pelo uso na internet é o AMOR, porque ser amado e feliz é o que mais o que mais incomoda os invejosos de plantão. É o objetivo maior de qualquer ser humano. E o fato é que todos almejamos receber dos outros um amor eterno e incondicional. Seria lindo se oferecêssemos a mesma coisa. Este seria o mundo ideal, mas poucos estão dispostos a dar amor na mesma medida em que querem, apesar disso ser possível. Se aparentemente não alcançamos isso, por outro lado não precisamos ter algo tão ruim, desde que evitemos as armadilhas e que não nos deixemos sucumbir por nosso egoísmo. Infelizmente, vejo as mensagens sobre os sentimentos rotineiramente postadas nas redes sociais confirmando as observações de Bauman sobre o “amor líquido”, pois a temporariedade proposital, o egoísmo, o egocentrismo, a visão extrema e imaturamente romântica da vida a dois, a banalização e a relativização parecem efetivamente ter tomado conta das relações, desfeitas por qualquer motivo. Normalmente os rompimentos só provocam sofrimento desnecessário e arrependimento tardio. Costumo falar sobre a necessidade de se abrir mão da liberdade em troca da responsabilidade e da segurança para sermos felizes vivendo em grupo. E aqui se enquadram todas as formas, desde um casal até um país inteiro. É por isso que existem as leis, as convenções de condomínio, etc. Muitos saem de casa porque os pais, hoje, pensam diferente deles, mas depois, quando se transformam em pais, dão razão aos seus genitores e reclamam dos próprios filhos. Outros reclamam de abandono na velhice quando deram aos seus filhos o mesmo exemplo abandonando seus familiares. Muitos casais se desfazem porque supostamente há uma divergência grave, normalmente fruto do pouco diálogo, ou porque um dos dois adotou um comportamento que, em tese, tolhe a liberdade ou agride. Habitualmente nós nos fazemos de vítimas, mas sabemos que, ainda que realmente o sejamos, não somos inocentes, ou deveríamos saber, se fôssemos maduros. A imaturidade e a rebeldia sem causa só são toleráveis até a adolescência, mesmo assim, dentro de limites bem rígidos. A maioria dos casos de rompimento de relação têm a ver com a ânsia por liberdade, com a qual nada se faz, absolutamente nada, a não ser durante um pequeno espaço de tempo. E tudo aquilo que fazemos com a liberdade sem segurança e responsabilidade perde o sentido e nos é altamente nocivo, mostrando que essa vida sem amarras não é o que imaginávamos. Trocamos cordas por correntes de ferro. A enorme animação inicial acaba, os amigos vão se afastando natural e lentamente, cada um entregando sua liberdade a alguém. Ao final, percebemos que se houvesse um pouco mais de diálogo, de ajuda, de perdão, de esforço e adaptação teríamos mais união e felicidade. Ao contrário disso, não faltarão pessoas que, por um motivo ou outro, darão conselhos em favor da quebra da relação pela simples falta de discernimento, porque querem justificar suas próprias atitudes, porque, estando em sofrimento, regozijam-se quando conseguem trazer mais e mais pessoas passa sua mesma situação ou por simples inveja ou inimizade oculta. A liberdade, porém, é ótima para nos fazer solitários. Quanto mais livres, mais intolerantes e intoleráveis nos tornamos. E é preciso tomar cuidado para não se deixar contaminar por ideias venenosas, pois uma estupidez repetida muitas vezes pode parecer uma eloquente verdade. E a internet nada mais é que fonte de repetição de falsas verdades e da cultura de almanaques. Com a internet fazemos, muitas vezes sem perceber, contato com uma quantidade gigantesca de pessoas que nos fazem companhia virtual sem qualquer compromisso com nosso bem estar. É incrível que antes da internet tínhamos alguns poucos conhecidos e, em menor número ainda, de amigos verdadeiros. Hoje temos facilmente 600 “amigos” nas redes sociais. Gente com a qual mal nos relacionamos. E não se deixe enganar: “As más companhias corrompem os bons costumes”. (1 Coríntios 15:33) A partir de sofismas, criados normalmente por quem não possui o menor preparo na área emocional ou sentimental, criam-se tantas teorias e exigências para detectar e manter o amor que tal sentimento, o verdadeiro, não tem mesmo como sobreviver. Ninguém que ama pode ser tão perfeito, fazendo da vida do outro um mundo cor de rosa de estradas de tijolos amarelos. E nada sobrevive a esse bombardeio de ideias tolas e infantis por muito tempo, e não se pode chamar um sentimento com tantas cobranças, melindres e características supostamente mínimas e essenciais de amor, no qual há momentos bons e ruins, bem como uma luta constante para sua manutenção. Puro exercício de paciência e perdão. Amar não é para os preguiçosos. As religiões, que, para mim, são sempre acúmulo de conhecimento humano, quase todas fundadas em milênios de experiência, já advertem os familiares sobre honrar pai e mãe em qualquer situação e os casais sobre os temporais psicológicos, financeiros e toda a sorte de problemas. Falam de tormentas e dificuldades a serem vencidas com esforço, navegando-se muitas vezes às cegas, a batalhas são suportadas e vencidas apenas com esteio numa promessa de se manter junto na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. As famílias passam por provações, mas saem ilesas se mantiverem a coesão, ou seja, se abrirem mão da liberdade. Ocorre que vem sendo bastante difundida, embora não possua autoria específica, uma ideia que impõe uma condição do amor, qual seja, a admiração, e sem isto não haveria amor, mas, sim, desarmonia, desajuste, patologia ou desequilíbrio psicológicos. É habitualmente representado pela seguinte expressão: “Só se ama o que se admira. O resto é confusão mental”. À primeira vista, aparentemente há uma sensatez nisso, já que a admiração, que vem da sensação de superioridade do outro, faz aproximar num primeiro instante. Contudo, a falibilidade humana trará a decepção, já que ninguém é, na verdade, tão distinto e tão elevado. Todos a quem admiramos nos decepcionam de alguma forma. E a decepção, então, será o elemento disjuntivo, caso tenha sido o motivo da aproximação. O amor acabará porque aquela condição inicial está fadada a acabar. Da mesma forma a beleza acaba, o viço some, o sexo se esvai e até mesmo a lucidez. Normalmente não admiramos nossos pais e irmãos para amá-los. E se o amor pelo parceiro tem o mesmo fundamento básico, também não haveria sentido em estabelecer tal regra. Não é porque temos atividades diversas com pessoas a quem amamos que o amor é diverso. Difere-se na forma, e, não, em conteúdo. O que se obtém dos registros mais antigos da humanidade é que o amor deve ser incondicional, pois o que não tem motivo para começar também não o terá para acabar, mesmo que o tempo passe. Não há motivo para amar os pais, parentes, filhos e mesmo um parceiro para constituir família. Não há diferença neste amor. Apenas o amor existe e pronto. Na verdade, quando se procura uma explicação para o amor se está em busca de uma justificativa para sua extinção. O amor nunca existiu aí, pois não deveria estar num motivo ou num interesse. Outro pensamento nos compara aos animais totalmente desprovidos de outros vínculos, a não ser os de interesse imediato. Esse vale o registro, tamanha a estultice: “o que prende o gado no pasto não é a cerca, mas o pasto”. Apesar de destinado aos casais, aplica-se a todos as relações e da mesma forma, está criada uma condição para o amor…a existência de algo refinado para se consumir e, mais grave que isso, que não pode acabar ou faltar. É então o genuíno egoísmo tomando conta da relação, criando para o outro a condição de ser sempre atraente por algum motivo. Coloca-se, no outro, e só nele, a obrigação de tornar a relação interessante, sempre com oferta permanente de “grama suculenta”. Poucos corajosos se perguntam como vai o pasto que está oferecendo, se ele atrai e prende o outro ou se cerca é necessária. E pior que isso: coloca-se a liberdade como regra do amor e a segurança como o oposto a ele, quando ela é justamente o contrário. Andei procurando as origens de muitas frases. Não há! Alguém escreveu, emoldurou e os outros simplesmente repetem. Modestamente, parece-me que o amor não precisa explicação ou justificativa e só é saudável com uma boa dose de segurança e responsabilidade, em que parte de sua liberdade é entregue ao outro para que a simbiose possa acontecer. O amor é nitidamente simbiótico. Jamais deve haver o parasitismo. Na simbiose um ser ajuda o outro a subir, enquanto que o parasita abandona o hospedeiro assim que a fonte seca. E se é para ficar com frase pronta, prefiro as seguintes: “Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade, você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo”. (Bauman) “Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.” (Madre Teresa de Calcutá) “A felicidade plena e estável não existe no terreno da psicologia e nem da psiquiatria. Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas humildade para reconhecer os erros, sabedoria para receber uma crítica injusta, coragem para ouvir um “não”, sensibilidade para eu dizer “eu te amo “, desprendimento para falar “eu preciso de você. A felicidade não é um produto de uma pessoa de sorte ou geneticamente privilegiada, mas de um treinamento psíquico. (Mentes Brilhantes, Mentes Treinadas de Augusto Cury) Para ser feliz e viver um bom amor, que não precisa ser grande ou fantástico, percebo que algumas medidas são necessárias, e a primeira delas é deixar o mundo virtual de lado e colocar-se ao lado de quem se ama, se tem tempo demais para a internet está desocupado ou ocupando-se pouco da família e amigos de verdade e da vida real; a segunda é não procurar uma explicação para o seu amor; e, a terceira, dedicar-se à luta diária para deixar vivo o sentimento, servindo sempre, abrindo mão de muitas coisas e fazendo outras a contragosto porque o outro está fazendo a mesma coisa. Ame pelo que conhece de alguém e aposte tudo naquilo que não conhece.

sábado, 18 de junho de 2016

Libertação :...

Libertação :... liberdade substantivo feminino 1. p.ext. possibilidade que tem o indivíduo de exprimir-se de acordo com sua vontade, sua consciência, sua natureza. 2. p.ext. licença, permissão. "você tem total l. de sair ou ficar" Ao contrario do que as pessoas pensam, libertação não e somente ser liberto de algo que te prende, libertação e você se sentir livre, desprender-se de tudo que tem te segurado, te deixado triste, te magoado. Nos últimos dias comecei a praticar a tática da libertação em minha vida, comecei a procurar a tal da minha liberdade que tinha sumido a algum tempo, comecei a descobrir a verdade por traz das coisas que me prendiam ( e descobrir) e me afastar delas, pessoas que viviam ao meu redor que na verdade só queriam me ver pelas costas. Briguei, Gritei, Esnobei,Ironizei,Sorrir,Cansei,Dormir,me Libertei. deixei de lado todos meus problemas, pessoas que me faziam e me fazem mal, vi que a minha vida e a mais importante para mim mesmo, que sim , eu devo pensar mais em mim em diversos momentos, pois muitas dessas pessoas só estão do seu lado para tentar de destruir com um falso discurso de amizade, hoje apos 5 ou 6 anos voltei a sorrir de verdade, brincar como antes, pois a vida e linda e muito curta e os problemas... são somente problemas . se valorize, se ame, viva como se o amanha não existisse . esses são os segredos de ser livre . ( fonte: Dicionario on-line)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O ultimo olhar ...

O ultimo olhar ...
Nunca imaginei que eu pudesse ter feito estrago,
Nunca imaginei que aquela poderia ter sido a ultima
Vez que nos vimos . vivemos  bastante coisas legais. Choramos e rimos bastante juntos , guardo dentro de minhas memorias tudo de bom que já passamos juntos ,os momentos mais simples , as conversas e as jurias de amor ,os planos para o futuro , se vou esquecer ela não sei ,espero que não mas isso somente o tempo dira ,já estou de certa forma me conformando com a perda, o amor não acaba de um dia para o outro ,se ela disse que não me ama mais deve ser porque ela nunca sentiu o que eu sinto por ela , mas eu não  me supreendo com isso pois aprendir que do amor não podemos esperar nada em troca , vou seguir minha vida ,e lembrar da última vez que ela me disse “eu te amo” olhando nos meus olhos . vou sentir falta e com a única certeza  que já mais vou encontrar alguém parecido com ela , esse e meu ultimo postim sobre ela , daqui pra frente pretendo seguir em frente com meus projetos e meus sonhos sem mais olhar para trás , vou começar a dar mais valor pra mim mesmo , me amar mais ,mas nunca esquecer da quele ultimo olhar que dizia que me amava , no dia dessa postagem faz exatos quatro meses que não estamos mais juntos .
Agora e erguer a cabeca e curtir pois tenho junto comigo pessoas geniais que realmente vale a pena mudar e começar tudo do zero outra vez .
( Revelação : talvez vou ser papai ( tema do próximo texto ))

sábado, 28 de maio de 2016

Começando do Zero ( outra vez )

............................ A vida sempre nos prega uma peça, nos faz passar por algumas provações, e se não aprendemos a lição ... da-li bomba e somos obrigados a passarmos pelas mesmas situações, ate conseguirmos obter exido na prova, acho talvez que seja por isso que já vivi por mais de algumas vezes historias similares, nessa mesma vida . o que escrevo aqui sempre foi cronicas e historias de coisas que realmente aconteceram comigo ou com alguém bem próximo, bem provável que depois desse postim isso não venha acontecer comigo mais, mas possa estar acontecendo com você ... tenho pouco mais de 20 anos e nunca soube dar valor as coisas mais simples, fiz com que a mulher que passei um tempo com ela, e que aprendi a amar ter ódio de mim por conta das mentirar que contei parar tentar me encaixar em uma sociedade, afastei de mim pessoas que realmente queriam me ajudar. agora depois de algumas humilhares ate mesmo por parte da minha família biológica, quando achei que estava tudo perdido , que eu não teria mais solução, encontrei um companheiro, um verdadeiro amigo, um irmão, que sabe de boa parte da minha vida , coisas que nem eu mesmo imaginava que alguém poderia saber. o mais loKo dessa historia toda que independente dos meus erros , dos meus vacilos, ele sempre estar pronto a me defender e não abre mão de mim (não; esse cara não e Jesus , mas e bem provável que sege uma possível encarnação dele heHe ( sempre bom um pouco de ironia ) ) ele estar disposto realmente a me ajudar com toda paciência do mundo , tanta paciência que as vezes tenho raiva rsrs. quando eu acho que o mundo me abandonou parece que Deus sempre coloca alguém para me ajudar e consolar , a questão e que eu nunca soube reconhecer isso . e agora que eu tenho certeza que ja perdi odas as formas de ajudas possíveis encontro ele , vejo que recebi uma ultima ajuda ( como uma vida bônus que recebemos no fim de um jogo e se perdemos ela realmente e Game Over ) . Por mais que erramos , por mais que não passamos pela prova , Deus sempre dar uma recuperação , uma forma de nos aprender com nossos erros , resetar o jogo e começar tudo do zero de novo , basta nos reconhecermos essa oportunidade e fazer de tudo para não erramos novamente . Estou disposto a seguir a vida de onde parou a 6 anos e fazer tudo diferente , crescer sem deixar de ser palhaço , e mudar o olhar da vida . o segredo e aprender a reconhecer quem realmente que nosso bem e dar valor a elas e a vida , afinal " ASSIM E A VIDA ".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Lágrimas

Só Deus e eu sabemos o tanto que detesto brigar com Rafaela, hoje a discussão foi por ela ter ficado fora o dia todo e quando chegou saiu com a mãe, não ligaria pra isso se não estivesse me sentindo mau, afinal a mae dela pediu pra mim procurar um lugar e eu estou voltando pra casa da minha mãe contra vontade do meu padastro e até mesmo da minha mãe, pedir atenção porque saindo sexta daqui não sei quando averei outa vez. Palavras duras ela usou simplesmente por eu ter feito um comentário profano do qual me arrependo, meu coração dói. Estávamos super bem só queria um pouco mais de tempo com ela.
Lixo, miserável, um nada, tudo aquilo que sentia que eu era antes voltei a sentir talvez essa seja o verdadeiro sentimento dela por mim.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

...

(Não dei título de propósito)

Cada dia que passa vejo o quão arrogante, mimado, estúpido, idiota que eu era antes de passar uma temporada na casa da Rafaela, convivir dois meses com pessoas igualmentes a mim, porém que souberam me acolher como ninguém, nunca sentir tão amado e tao querido assim ao longo dos meus vinte e um anos. Vejo com Rafaela tudo que passamos nesses últimos meses, meus grandes erros, mentiras, ciumes, escândalos, mesmo com tantas brigas muitas vezes culpa minha, ela me falando coisas duras que me quebrava o coração, sei que ela só queria me ajudar me ver bem, essa é uma característica dela, uma característica de alguém que ama de verdade e eu por minha vez só vi isso no fim.
Hoje vejo as inúmeras provas de amor que ela fez por mim e eu nunca dei valor na hora certa, ela mentiu, errou, abriu mão de amizades e até mesmo de família por minha causa, e eu? Eu nunca dei valor a isso, sempre achei que tudo que ela fizerdes não era mais que obrigação dela, troxa, mimado, incoerente, talvez estas palavras possam me resumir.
Foi um período de crescimento, pude refletir muito sobre mim e ver a vida de modo diferente e que a felicidade não estar em um lar aonde as pessoas vivem de uma forma politicamente correta, unida sem falsidades e sem brigas, a felicidade estar aonde há isso tudo mas no fim prevalece unida e se amando. Volto para casa de minha mãe mas com o coração apertado pois antes de sair já sinto falta deste lugar (choro), eu e Rafaela continuaremos juntos, porém nos veremos apenas uma vez por semana, medo de perder-lá sempre houve porém estou mais seguro, ninguém nunca me deu tanto valor antes, espero conseguir um emprego e começar os preparativos para o nosso casamento logo. Tenho muito a falar mas não tenho palavras, a única coisa que tenho há dizer é que eu amo muito essa família "loka" e o meu cingelo obrigado.

( deixo como referência a música " grande família " do Dudu Nobre. Chorei em alguns trechos em quando eu escrevi e segurei o choro em muitos outros.)
Julio cezar Reis da família Soares.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Inseguro

Muitas vezes o que faz um homem se sentir inseguro e o que faz ele se sentir só. Por mais que as pessoas que estao ao seu arredor gostem de você, não sente que ta recebendo a atenção que poderia merecer. Desta vez volto a falar de Rafaela, estou conhecendo o jeito frio dela comigo, que me da atenção somente quando eu imploro, me isola nas maioria das vezes e eu por minha vez me sinto um lixo, imundo e culpado por algo que não sei o que. Estou procurando melhorar, ser uma boa pessoa, mas as vezes que tudo que eu faço nao seja o suficiente, sei la deve ser reflexo do restante da minha depressão, ja que fui criado sendo o centro das atenções, isso pode ser coisas da minha cabeça.
Estou aprendendo a lutar contra a depressão, quero voltar a passar segurança para a rafa e para nossa menina, ta sendo difícil confesso que muitas vezes ja pensei em desistir, mas sempre que penso nisso lembro do tanto que me sacrifiquei para estar com elas e isso me dar mais força para ser seguro e continuar lutando contra mim mesmo.

Autodomínio

"Uma das alegrias da amizade é saber em quem confiar."

Autodomínio
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Muitos dizem:
- Não se pode confiar em ninguém. E já que ninguém é de confiança, eu também vou aprontar das minhas! Esse mundo é uma selva, e cada qual se defende como pode.
Então, você é igual? Você é do mesmo jeito que acha ruím nos outros?
Se a vida é uma selva pra você, é porque você é um selvagem, nos instintos e nos impulsos. A única reação que você conhece é avançar com os dentes e as garras contra tudo que pareça ameaça. Pensa que é um grande homem, mas repete o comportamento dos animais.
Vocês podem achar meio duro isso, mas eu tenho que dizer, porque senão vocês vocês não vão ver, vão ficar na cegueira.
Você está esperando todo mundo ficar anjinho pra você ser bom? Então nunca vai ter bondade neste mundo. Ora, ninguém quer ser o primeiro!... E não estaria aí a verdadeira grandeza do homem, a capacidade de suplantar a animalidade? Vocês nunca ouviram dizer que a violência, a força bruta, é o recurso dos ignorantes? O que é que vocês querem provar? Que não aprenderam nada?
Ser grande é ser superior. Ser superior é pautar seus comportamentos por diretrizes internas, e não como resposta ao que vem de fora.
- Se mexer comigo, viro um bicho! - dizem.
Então, você não tem controle de sí mesmo? Está dependendo do que os outros são pra ser o que você é? E cadê a sua individualidade? Cadê o grande homem?
Qualquer contratempo já se revolta, já arranca os cabelos, já sai gritando? Como é que um ser humano pode dizer que domina os outros e não consegue dominar nem a sí mesmo?
É que o seu domínio é falso. Ninguém domina ninguém, a gente só consegue botar um pouco de medo durante um certo tempo, mas ninguém é bobo de aceitar uma situação destas indefinidamente. 
.Veja o que acontece com o totalitarismo, no mundo: a sua base vai se dissolvendo, e ele desmorona. Aí, você vai ver, quando a vida começar a lhe mostrar a verdade do que você está plantando...
Aí você vai chorar, como acha que nenhum homem deveria chorar.
E você vai ter que ser muito homem pra enfrentar o que vem depois, quando todo o seu egoísmo, a sua insanidade, a sua falta de escrúpulos se voltar pra você, porque é o que sempre acontece, a vida nos dando de volta tudo que damos pra ela.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Aprendendo a conviver com as diferenças

Algumas pastagens nesta nova fase do blogue, sarao diarios reais sobre minha própria vida e convivência com a Rafaela, coisas que passamos no nosso dia a dia como casal.
E estranho pra mim um jovem de vinte e poucos anos que passou cinco longos anos afastado internamente de todo mundo, sem expressar o que sententia, o que pensava, passei esse tempo guardando magoas, tristezas, raivas dentro de mim, me prendendo dentro de um mundo negro, solitário do qual eu era o único habitante, e nao deixava ninguém se aproximar de mim.
Conhecir Rafaela, uma garota de aproximadamente 1,55 m de altura um pouco mais baixa que eu, com um corpo fora dos parâmetros da moda atual, mas que me encantou com seus lindos cabelos e olhos que parecia brilhar, um sorriso espetacular, a última vez que vi uma pessoa que me chamarce tanta atenção assim foi ha cinco anos. Ficamos uma vez e ela descobriu que eu tinha compromisso com outra pessoa, ela morreu de odio dr mim, mas eu nao tiro razão dela, eu errei muito feio. Meses depois voltei pra belo Horizonte com a intençao de reencontrar essa linda mulher, nos encontramos no shopping que ela trabalhava e logo ela me convidou para o aniversário da filha de três anos. Na quele dia a esperança que eu tinha de um dia voltar ficar com ela reapareceu, dito e feito uma semana depois estava eu na casa dela pedindo a mae dela para a rafa namorar comigo. Um ator, marçom super tímido enfrentando uma pesquisadora religiosa, ex policial que frenguentava centro de magia negra. Semanas depois fui demitido de uma rede de drogarias e expulso da casa da minha vo pelo meu tio, me sentir perdido. A celina mae da Rafaela logo me ofereceu abrigo, a principio me sentir perdido porem acolhido, uma nova e grande família, com muitos defeitos como qualquer coutra. Muitos costumes, jeitos etc pra mim ainda e extranho, me sinto perdido, e tudo totalmente diferente da quilo que eu cresci aprendendo, não vou me acostumar nunca com o modo de viver deles é muito estranho e muita injustiça também, e duro viver em Uma cultura diferente e ter que conviver com uma pessoa que freguenta lugares inimigos. Mas estou aprendendo a viver com as diferenças, graças a rafa sou alguem totalmente diferente de quando cheguei.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Voltando a escrever

Belo horizonte 16 de janeiro de 2016 dia chuvoso.

Depois de quase quatro anos sem escrever uma linha, uma palavra se quer volto a esse blogue com o intuito de me distrair ocupando meu tempo.
Minha vida mudou muito nesses últimos quatros anos, parei com a faculdade que cursava, contrair um cancer, sair de casa, perdir vários empregos e amigos e até mesmo minha família. Hoje moro na casa da sogra, me sinto só em meio a multidão. Passei por muitos momentos difíceis esses últimos anos, me entreguei a uma depressão que parecia não ter fundo. Conheci uma mulher que de inicio não queria nada comigo, ela mesmo confessa que tinha raiva de mim, mas desde o primeiro dia que a vi eu gostei dela, lutei, consegui conquistar-lá confesso que não foi fácil, mas toda luta valeu a pena, ela me deu uma filha linda, chata, mimada, arrogante como eu e olha que nem é minha filha de sangue kk. Com muitas brigas ela está conseguindo me tirar de uma terrível depressão, mas isso também depende de mim, estou lutando e por isso decidi voltar a escrever mesmo depois de tanto tempo, não escrevo mais para ter visualizações e seguidores, procuro na escrita agora uma forma de me libertar e falar o que penso, um lugar pra falar sem medo de pensar. Agradeço a minha fiel amiga, companheira e amante Rafaela por a cada instante me propor alegria por mais que eu não demontre da forma socialmente correta.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nunca julgue o proximo


Um médico entrou no hospital com pressa depois de ser chamado ... é uma cirurgia de urgência. Ele respondeu ao chamado o mais rápido possível, trocou de roupa e foi direto para centro cirurgico. Ele encontrou o pai do menino indo e vindo na sala de espera do médico. Depois de vê-lo, o pai gritou: "Por que você levou todo esse tempo para vir? Você não sabe que a vida do meu filho está em perigo? Você não tem senso de responsabilidade? " O médico sorriu e disse: "Lamento, eu não estava no hospital e eu vim o mais rápido que pude depois de receber a ligação ...... E agora, eu gostaria que você se acalmasse para que eu possa fazer meu trabalho" "Acalmasse? Se fosse seu filho que estivesse nesta sala agora, iria se acalmar? Se o seu próprio filho morresse agora oque você iria fazer? ", Disse o pai com raiva O médico sorriu novamente e respondeu: "Eu vou dizer o que disse Jó na Bíblia Sagrada" Do pó viemos e ao pó voltaremos, bendito seja o nome de Deus ". Os médicos não podem prolongar a vida. Vá e interceda por seu filho, vamos fazer o nosso melhor pela graça de Deus " "Dar conselhos é facil", murmurou o pai. A cirurgia levou algumas horas e depois o médico saiu feliz, "Graças a Deus! Seu filho está salvo! " E sem esperar a resposta do pai o medico saiu correndo. "Se você tem alguma dúvida, pergunte a enfermeira! Disse o medico." "Por que ele é tão arrogante? Ele não podia esperar alguns minutos para que eu pudesse perguntar sobre o estado do meu filho ", comentou o pai ao ver os enfermeiros minutos depois que o médico saiu. A enfermeira respondeu, com lágrimas descendo seu rosto: "O filho dele morreu ontem num acidente de avião, ele estava no enterro, quando o hospital o chamou para a cirurgia de seu filho. E agora que ele salvou a vida de seu filho, ele saiu correndo para terminar o enterro do filho dele. " Nunca julgue ninguém, porque você nunca sabe como a vida daquela pessoa, o que está acontecendo, ou pelo que estão passando.

domingo, 23 de setembro de 2012

ENCONTRO COM A PALAVRA


"Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino". A frase poética escolhida pelo autor de "O Encontro Marcado" para a sua lápide expõe de maneira sucinta, mas explícita, um pouco da personalidade, dos desejos e anseios de um protagonista da palavra. Um autor cuja pena produziu, desde a mais tenra juventude, textos fundamentados na sensibilidade capaz de captar a angústia humana como poucos de sua geração souberam fazer. Sobre ele, um dos maiores críticos literários brasileiros, Antonio Cândido, avalia: "Fernando tinha um olhar infalível para os pormenores expressivos e uma capacidade prodigiosa de invenção verbal". Com a morte de Sabino, encerra-se um tempo singular que, por um desses desígnios inexplicáveis, teve o mérito de reunir, em uma mesma época e em um mesmo cenário - a cidade de Belo Horizonte -, o famoso quarteto de escritores mineiros composto por Sabino e pelos amigos Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Sabino foi o único dos quatro a chegar aos 80 anos. O único a sentir a ausência corrosiva provocada pela perda das grandes amizades. Suas dezenas de romances, crônicas, novelas, correspondências e relatos de viagem trazem em sua essência o cerne de um dom raro: o de fazer dessas histórias uma ponte entre a ficção e a reflexão. Um elo entre o eu e o outro. Entre o particular e o universal. A narrativa de Sabino instiga os leitores à realização de uma busca rumo ao autoconhecimento - virtude característica dos grandes mestres da palavra. Foi assim com o personagem Eduardo Marciano que, desde 1956, com a publicação de "O Encontro Marcado", prossegue arrebatando corações e mentes. A escrita fluente e a leveza que dava a textos de temáticas muitas vezes angustiantes nasciam de um cuidado extremista de Sabino com a palavra. O mesmo que dedicou à música. Eclético, como todos que possuem espírito inquieto, Sabino era baterista de uma banda de jazz - estilo caracterizado pelo predomínio do improviso sobre a técnica. Assim também era Sabino na literatura: artista cujo compasso ritmado era marcado pela junção da técnica e da sensibilidade. A perda do escritor mineiro já seria motivo suficiente para que o reino das palavras ostentasse luto por prazo indefinido. Entretanto, dois dias antes, o mundo das letras, da filosofia, do pensamento dava adeus ao filósofo Jacques Derrida, famoso pela teoria da "desconstrução", cujo princípio era desfazer o texto do modo que foi previamente organizado para revelar significados ocultos. Suas pesquisas apontavam que, tanto na literatura como nas demais formas de arte, é possível observar - por meio de análises detidas - numerosas camadas de significados não necessariamente planejados pelo criador da obra. Assim como Sabino, Derrida era o único sobrevivente de um grupo ímpar de personagens que ajudaram a compor a história de uma geração. Juntos, Althusser, Barthes, Deleuze, Foucault, Lacan e Derrida tornaram-se conhecidos como "os pensadores de 1968". Desde então, o filósofo contribuiu sobremaneira para o entendimento de questões essenciais à compreensão do século 20. O autor de "Espectros de Marx" não se furtava, mesmo já muito doente, o direito de viajar pelos continentes lançando luzes sobre temas variados e polêmicos como a literatura, a política, a ética, os conflitos árabe-israelenses, a luta contra o aparthaid, os últimos atentados em solo americano, a rapidez dos processos tecnológicos. Derrida era um cidadão do mundo, um homem que viveu apaixonadamente e defendeu sua ideologia e seus propósitos de todos os modos. A justiça, os direitos humanos, a conquista da cidadania e a dignidade da pessoa humana eram, invariavelmente, bandeiras que empunhava em favor da edificação de um tempo mais pacífico e igualitário para povos e nações. Foi ele, também, o criador, em 1983, do Colégio Internacional de Filosofia, a que presidiu até 1985. Sem dúvida, as vidas de Sabino e de Derrida são exemplos de entusiasmo e de dedicação. Convites a uma existência mais pró-ativa, passional, conectada à nossa verdade interior e à procura da felicidade individual que se expande para o coletivo. Foram-se dois grandes homens. Ficam duas grandes lições. Que todos tenhamos sabedoria para apreender os ensinamentos que deixaram em seus livros e que os manterá, para sempre, vivos. Afinal, como afirmou Derrida em uma das tantas entrevistas que concedeu: "(...) a vida é sobrevida. Sobreviver no sentido corrente quer dizer continuar vivendo, mas também viver após a morte".

domingo, 16 de setembro de 2012

Picadeiro (quando o palhaço chora)


A arte de todo palhaço está em fazer rir a multidão que lota o circo. Algumas pessoas ali, já felizes buscam apenas mais um momento de alegria, outras pinceladas com o a cor negra da tristeza procuram alguma razão pra voltar a sorrir. Lá no centro, alvo de todos os olhares está o palhaço, o verdadeiro artista da alegria. Todos na platéia já sabem que em algum momento ele dará um chute nas nádegas de outro palhaço, que se espatifará no chão e que também irá esguichar água no rosto de alguém usando a rosa que leva em seu bolso. A verdadeira graça não está nas coisas que o palhaço faz, mas sim em como ele faz. Ele é o verdadeiro artista que faz a mesma coisa todos os dias com a mesma paixão e vontade de fazer rir como se fosse a primeira vez. O palhaço anima o circo, ele vive o circo, ele é o circo. Mas o que acontece quando a chama ardente leva embora o sonho feito de lona? Quando o picadeiro torna-se uma lembrança, quando as luzes que iluminavam o palhaço podem ser vistas apenas em seus sonhos, quando as palmas e gargalhadas durante o espetáculo tornam-se desejos e não mais realidade é quando o palhaço gentilmente tira a maquiagem de seu rosto e deixa mostrar o homem que ali habita. O que antes fora uma pintura perfeita rapidamente se torna apenas um borrão que com mais algumas passadas do algodão magicamente some e leva consigo toda cor do palhaço. Sem circo onde atuar nem multidão para aplaudir o palhaço deixa uma lágrima escorrer de seus olhos e como um rio que encontra o mar ela faz seu caminho por entre as rugas daquele rosto até tocar o chão. Triste lágrima aquela, tão pequena que cabe na ponta de um dedo, mas com uma tristeza que só quem a despejou sabe o tamanho que tem. Sem circo não há alegria, não há aplausos, não há arte, não há vida. Às vezes em meus momentos loucos de solidão, sentado no meu picadeiro vazio me pergunto quantos de nós somos hoje palhaços a chorar. Me pergunto quantos de nós vimos há dias, meses ou anos os nossos circos se deixarem levar pelas chamas do tempo, da rotina, do cansaço, da falta de dedicação, da falta de vontade, da falta de amor. Nossos circos que antes eram nossos portos seguros contra a tempestade agora são apenas uma imagem linda e saudosa que habita em nossas mentes e traz sentimentos maravilhosos em nossos corações. Quantos de nós queríamos pelo menos por mais uma única vez poder ter o direito de um espetáculo final com a casa cheia, só mais uma cena, só mais uma noite para fazermos de novo aquilo que sempre fizemos tão bem. Apenas mais uma chance para sermos mais artistas e menos lágrimas. Mas o grande senhor da vida não nos deixa jamais voltar e dar um último espetáculo, pois cada momento é único e talvez por isso a saudade seja tão mais pesada que o mar. Quando as chamas consomem o sonho e o transformam em fumaça leve que é levada com o vento, o que resta a nós palhaços é mais uma vez fazer as malas e seguir em frente deixando para trás uma lágrima de cada vez; seguir em frente com a esperança de que um dia possamos novamente ter o nosso circo de volta e enfim voltarmos a ser

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O Homem Nu


Fernando Sabino Ao acordar, disse para a mulher: — Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum. — Explique isso ao homem — ponderou a mulher. — Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago. Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento. Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos: — Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa. Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão: — Maria, por favor! Sou eu! Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer. — Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado. E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror! — Isso é que não — repetiu, furioso. Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu. — Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho: — Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu... A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito: — Valha-me Deus! O padeiro está nu! E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha: — Tem um homem pelado aqui na porta! Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava: — É um tarado! — Olha, que horror! — Não olha não! Já pra dentro, minha filha! Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta. — Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir. Não era: era o cobrador da televisão. Esta é uma das crônicas mais famosas do grande escritor mineiro Fernando Sabino. Extraída do livro de mesmo nome, Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 65. Agradeço a Cristhiano Rocha Pereira pela lembrança. Tudo sobre o autor em "Biografias".

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Recado ao Senhor 903 - Rubem Braga

Vizinho, Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal - devia ser meia-noite - e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 - que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21 :45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas - e prometo silêncio. ...Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela". E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz. Maio, 1945

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A humanidade sempre foi uma ilusão à toa

ESTOU DE SACO cheio; vou telefonar para o Nelson Rodrigues para ver se ele me dá alguma luz, lá do céu. Disco o telefone preto. Não quero mais falar sobre esta guerra santa, mas caio sempre neste tatear confuso, tentando raciocinar com as luzes do bom senso, de causa e efeito, da psicologia. Mas o terror não se explica. Ali, entre o Tigre e o Eufrates, é que nasceu o mundo e pode ser que acabe ali também. O telefone toca. Já ouço as risadinhas dos serafins que ficam contando piadinhas de sacanagem. — Nelson... sou eu, o Arnaldo... — Você me ligando, rapaz... como um telefonista de si mesmo... Achei que tinha me esquecido... — Eu jamais te esqueço... mas estou apavorado com a História humana... — Pára com isso, rapaz, a História não existe... Não é que a História acabou, como disse aquele japonês do Pentágono; não, a História nunca existiu... Ela foi uma invenção daquele alemão, o tal de Hegel, que, aliás, está ali sentado numa nuvem, chorando lágrimas de esguicho numa cava depressão... O sujeito achava que a "história" se movia em direção a uma "espiritualidade absoluta" e, de repente, descobre que meia dúzia de malucos, cheirando a banha de camelo, com camisolas imundas e com a face alvar da estupidez completa, está transformando a vida humana numa sinistra piada de português... ah! ah!... A História humana é um pesadelo humorístico. Você achava que a vida era movida pelas "relações de produção" e coisa e tal... Pois, está aí... a única coisa que existe é a loucura humana... Aqueles macacos que, na Idade do Gelo, se esconderam numas cavernas sujas pra não morrer de frio tiveram de inventar a tal da "linguagem", para preencher o vazio entre eles e a natureza... O homem não é superior aos outros animais, não. Ele é inferior, ele veio com defeito de fábrica... O Nietzsche, aquele cara esquisitão que também anda por aqui, bigodudo, muito sério, falando sozinho, escreveu que "num planeta distante, animais inteligentes inventaram o Conhecimento. Foi o instante mais arrogante e mentiroso do universo. Mas, depois de alguns suspiros da Natureza, o planeta acabou e os tais animais inteligentes morreram..." O Nietzsche é um craque... Sempre que eu posso, tomo um cafezinho com ele. — Mas Nelson, o herói suicida é invencível... — Engraçado... todo mundo está impressionado com os suicidas... A coisa mais fácil do mundo é o sujeito se matar, rapaz. Na minha infância profunda, toda semana, casais de namorados se jogavam do Pão de Açúcar, os amantes faziam pactos de morte e tomavam guaraná com formicida, as mocinhas ateavam fogo às vestes e se jogavam dos prédios como busca-pés de São João... Era lindo... as mulheres suspirando por um suicídio de amor... — Mas esses caras acham que o suicídio leva ao céu... Aliás, você viu algum deles por aí? — Olha... a gente só vai para o céu em que acredita... Os árabes não vêm para cá... Se bem que o paraíso deles até que não é longe... Outro dia, eu resolvi dar uma espiadinha lá... Rapaz, parecia o baile do Bola Preta! Os terroristas eram como artistas de televisão, dando autógrafos, cheios de macacas-de-auditório em volta. O Muhamad Atta, aquele chefe-suicida, estava deitado numa cama de ouro e rubis, com odaliscas do Catumbi rebolando a dança do ventre, ali, feito a Feiticeira... Tudo que eles jamais tiveram no deserto eles têm aqui em cima. "Pois, agora, rapaz, vou te dizer uma coisa 'social': os reis da Arábia Saudita, da Líbia, do Iêmen, todos adoram que o inimigo seja o americano, vivem felicíssimos nos seus palácios com cascatinhas artificiais e filhote de jacaré nadando dentro, enquanto os miseráveis batem cabeça para Alá e não percebem que são os otários de Maomé... Isso é que é o haxixe do povo! — Nelson, você ficou marxista aí no céu... — O Marx me chama de "reacionário", mas me ouve muito... Ele anda chateadíssimo com as bobagens que escrevem sobre ele, inclusive amigos da Academia... Eu disse para ele: "Olha, Marx, a burrice é uma força da natureza, feito o maremoto"... Ele vive repetindo isso, achou uma graça infinita... Bom sujeito, o Marx... — É... mas a História andou mil anos para trás... — Rapaz, nunca saímos da barbárie... pensa bem... tivemos duas guerras mundiais num século, sem contar Vietnã e coisa e tal... Se os alemães fizeram aquilo tudo, se os americanos derreteram 150 mil em 30 segundos em Hiroshima, imagine aqueles cretinos... Reparou que eles parecem um homem só ? Todos calmos, com a certeza da verdade lhes iluminando a fisionomia... A loucura é calma, o louco não tem dúvidas... Por isso, eles vão ganhar sempre... A razão é um luxo de franceses... — Mas e o futuro da humanidade... — O mundo nunca foi feliz... esse negócio de paz e felicidade global é invenção do comércio americano... O que houve agora é que os terroristas jogaram a gente de volta para dentro da tal "História". Além do mais, isso tinha de acontecer... Como o homem ia suportar aquela paz americana, com tudo arrumadinho como um supermercado... A loucura é a revolta do animal domesticado dentro de nós... Esse papo da Humanidade toda dando milho para os pombos na praça é lero-lero... Deus não quer isso. Vai olhar a Bíblia, o Torá; é tudo no "olho por olho"... Lembra a Inquisição? Deus é violento... (tô falando baixo que ele tá ali perto consolando o Hegel) . — Mas o ser humano... — Rapaz... a humanidade é uma ilusão. "Tudo que é real é irracional, tudo que é irracional é real." Se o mundo acabar, não se perde absolutamente nada... — E nós? — Agora sim, seremos o país do futuro. Graças a Deus, eles, os americanos, vão nos esquecer um pouco... Aí, a gente pode ir construindo a nossa grande Bahia intemporal, nosso Rio transcendental, nosso grande carnaval permanente. Finalmente, o subdesenvolvimento servirá para alguma coisa... — Deus te ouça, Nelson... ( Arnaldo Jabor )

domingo, 5 de agosto de 2012

AMIZADE DE LOUCOS


"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril" Fernando Pessoa